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Presidente do Fed sinaliza corte na taxa de juros dos EUA, mas evita promessa



Foto: Reprodução/Instagram
O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell 22 de agosto de 2025 | 15:21

Presidente do Fed sinaliza corte na taxa de juros dos EUA, mas evita promessa

O presidente do Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA), Jerome Powell, admitiu nesta sexta-feira (22) a possibilidade de reduzir os juros do pais na próxima reunião da autarquia, que será entre 16 e 17 de setembro.

Em discurso no simpósio em Jackson Hole, ele apontou que o risco de a inflação acelerar e o mercado de trabalho enfrentar queda persistem, o que pode levar a uma mudança na política monetária dos EUA. Porém, o presidente do Fed evitou se comprometer com a redução dos juros.

“Com a política em território restritivo, o cenário básico e o equilíbrio mutável de riscos podem justificar o ajuste de nossa postura política”, afirmou Powell.

O Fed vem mantendo a taxa de juros entre 4,25% e 4,5% desde dezembro do ano passado, antes de Donald Trump ser empossado. Foram cinco reuniões neste ano em que os diretores optaram pela manutenção da taxa, apesar da pressão de Trump que defende uma redução de três pontos percentuais.

Os dados mais recentes da economia norte-americana apontaram que o desemprego aumentou e a inflação continua acima da meta de 2% do Fed, com a expectativa de que cresça na medida em que o custo das tarifas de importação de Trump se incorpore aos preços de varejo.

Diante disso, Powell reiterou o que vem falando desde o início do ano sobre a necessidade de ter cautela ao avaliar o cenário atual. “Embora o mercado de trabalho pareça estar em equilíbrio, trata-se de um equilíbrio curioso, resultante de uma desaceleração acentuada tanto na oferta quanto na demanda por trabalhadores. Essa situação incomum sugere que os riscos de queda no emprego estão aumentando. E, se esses riscos se materializarem, poderão fazê-lo rapidamente”, destacou.

“Também é possível, no entanto, que a pressão de alta sobre os preços, devido às tarifas, possa estimular uma dinâmica inflacionária mais duradoura, e esse é um risco a ser avaliado e administrado. A estabilidade da taxa de desemprego e outras medidas do mercado de trabalho nos permitem prosseguir com cautela ao considerarmos mudanças em nossa política monetária”, indicou Powell.

Com isso, aumenta a importância dos próximos relatórios de emprego e inflação que serão divulgados da reunião de setembro do Fed.

O discurso ofereceu pouca orientação sobre quando ou com que velocidade os juros podem cair, provavelmente fomentando ainda mais a pressão do presidente Donald Trump, que afirma não haver risco de inflação e que o Fed deveria cortar os juros imediatamente.

Nas últimas semanas, Trump aumentou a pressão ao dizer que avalia entrar com processo contra Powell pelos gastos previstos na reforma do prédio do Fed e pedir que a diretora da autarquia Lisa Cook renuncie ao posto após denúncia de uma suposta fraude hipotecária.

O discurso desta sexta é o último de Powell como presidente, com seu mandato terminando em 15 de maio de 2026. Trump está buscando um substituto e pressionando Powell e outros membros da diretoria a renunciarem na expectativa de nomear a maioria dos sete membros do órgão.

Junto com sua perspectiva sobre a economia, Powell anunciou uma nova estrutura estratégica do Fed que enfatizou que seu mandato de emprego máximo depende da estabilidade de preços.

Em seu primeiro mandato, Trump promoveu Powell de um cargo na diretoria para presidente, mas logo começou a criticá-lo. Powell foi reconduzido para um segundo mandato de quatro anos pelo presidente Joe Biden.

Powell não pode ser retirado do cargo por disputas sobre decisões de juros ou motivações políticas, conforme decisão da Suprema Corte em maio, e o mandatário do Fed disse que pretende cumprir seu segundo mandato integralmente.

A taxa de juros foi alterada pela última vez em 18 de dezembro de 2024, quando Biden era presidente. Na ocasião, o Fed aprovou um corte de 0,25 ponto percentual. A taxa foi mantida nas reuniões do Fomc (equivalente ao Copom dos EUA) ocorridas de janeiro a julho, apesar da pressão de Trump e da contínua incerteza sobre o impacto de sua política comercial na economia americana.

A última reunião, porém, foi a primeira em que a decisão não foi unânime. Dois diretores, Christopher Waller e Michelle Bowman, defenderem um corte de 0,25 ponto. Ambos foram indicados por Trump. A ata mostrou que os dois estavam isolados ao defenderem a medida.

Desde a última reunião, uma diretora já renunciou ao posto e Trump nomeou um aliado seu para ocupar o cargo interinamente.

MUDANÇAS NO ARCABOUÇO

Em discurso, Powell também anunciou um arcabouço operacional atualizado para o banco central dos Estados Unidos que reflete o retorno de pressões inflacionárias mais altas e a perspectiva reduzida de taxas de juros de curto prazo próximas a zero.

O novo decreto se afasta do desafio onipresente de a política monetária ter de operar com juros muito baixos devido a um período de inflação muito baixa em relação à meta de 2% do Fed, o cenário que informou sua revisão de 2020.

Powell afirmou que na nova estrutura “removemos a linguagem” sobre o ambiente de juros baixos e “retornamos a um arcabouço de metas de inflação flexíveis e eliminamos a estratégia de ‘maquiagem’” apresentada em 2020, a última vez que o Fed atualizou seus princípios operacionais gerais.

“Continuamos a acreditar que a política monetária deve ser voltada para o futuro e considerar as defasagens em seus efeitos sobre a economia” e que o Fed deve equilibrar os riscos para seus mandatos de emprego e inflação ao definir a política monetária, disse Powell.

“Nossa declaração revisada enfatiza nosso compromisso de agir com firmeza para garantir que as expectativas de inflação de longo prazo permaneçam bem ancoradas, para o benefício de ambos os lados de nosso mandato duplo”, complementou o presidente do Fed.

A revisão dos princípios operacionais do banco central era amplamente esperada. A ata da reunião de 29 e 30 de julho, divulgada na quarta-feira, observou que a revisão “seria projetada para ser robusta em uma ampla gama de condições econômicas”.

O último arcabouço foi adotado no contexto de um Fed que estava enfrentando um período prolongado de pressões inflacionárias muito fracas, o que, por sua vez, levou a um longo período de juros de curto prazo muito baixos. As taxas baixas complicaram a capacidade do BC dos EUA de reagir a choques econômicos.

A pandemia, que se instalou em 2020, levando a uma imensa rodada de estímulos do Fed e do governo dos EUA, logo provocou algumas das maiores pressões inflacionárias em décadas. Isso rapidamente colocou o Fed em um caminho que tinha pouco a ver com os objetivos do arcabouço de 2020.

A inflação que começou a subir em 2021, levando a aumentos agressivos de juros pelo Fed, diminuiu em grande parte e o banco central conseguiu reduzir sua taxa de juros.

Folhapress



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Socorro a afetados por tarifaço vai priorizar empresas que perderam mais de 5% do faturamento



Foto: Divulgação/Portonave
Terminal de contêineres da Portonave, em Navegantes (SC) 22 de agosto de 2025 | 17:25

Socorro a afetados por tarifaço vai priorizar empresas que perderam mais de 5% do faturamento

O pacote de socorro a empresas prejudicadas pelo tarifaço de 50% implantado contra produtos do Brasil pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai priorizar a concessão de crédito incentivado a empresas que perderam mais de 5% do faturamento com interrupção de exportações.

Empresas com perdas menores ou afetadas com tarifas menores também terão acesso a linhas de crédito emergenciais, mas a juros maiores. O BNDES anunciou também a oferta de garantias a micro e pequenas empresas que desejarem tomar os empréstimos.

Batizado de Plano Brasil Soberano, o pacote tem uma linha de crédito de até R$ 30 bilhões para ajudar as companhias, além do adiamento de impostos federais, maior ressarcimento de créditos tributários e uma reformulação nas garantias à exportação para facilitar a busca de novos mercados.

O BNDES anunciou nesta sexta-feira (22) que o pacote terá ainda R$ 22,5 bilhões em garantias, que dependem que o Congresso aprove projeto retirando a ajuda do superávit primário, e duas novas linhas emergenciais com recursos de mercado, no valor total de R$ 10 bilhões.

As linhas de crédito incentivado terão juros entre 0,66% e 0,82% ao ano, com prazo de cinco anos e carência de um ano. Estão destinadas às empresas que perderam mais de 5% com a interrupção de vendas aos Estados Unidos.

As empresas beneficiadas terão que manter o número de empregados. O cálculo é feito com base na média de empregados em 12 meses anteriores a junho de 2025. Há uma carência de quatro meses no início dos contratos, mas a média deve ser retomada entre o 5º e o 12º mês de financiamento.

Outras duas novas linhas emergenciais serão lançadas para empresas com perdas menores ou afetadas por tarifas menores, com juros de 1,15% ao mês mais spread bancário ou com taxas atreladas ao dólar. Essas linhas usarão R$ 10 bilhões que o BNDES pode captar em LCDs (Letras de Crédito do Desenvolvimento.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, diz que o modelo de socorro é inspirado na experiência do socorro emergencial a empresas afetadas pelas enchentes históricas que atingiram o Rio Grande do Sul em abril e maio de 2024.

Ele afirmou que espera começar a aprovar os primeiros financiamentos no dia 15 de setembro -primeiro, o banco vai receber uma lista de emersas elegíveis. Mercadante sugeriu a empresas afetadas que já procurem seus bancos de relacionamento para agilizar as aprovações.

As indústrias madeireira, calçadista e de armamentos, que registram queda nas vendas por causa do tarifaço, vem apelando a férias coletivas como primeira medida para conter custos e esperam o apoio do governo para tentar evitar demissões em massa.

Na quarta-feira (20), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSD) afirmou que o Brasil vai insistir na negociação comercial com os Estados Unidos contra o tarifaço de 50%.

“Vamos continuar negociando permanentemente”, disse em entrevista à jornalista Miriam Leitão, na GloboNews. “O Brasil está sendo injustiçado. Temos que separar questões de natureza político-partidária e do Judiciário. No Estado de Direito, os poderes são separados”.

Ele reafirmou que não há justificativa para a taxação e disse que o Brasil está entre os únicos países do G20, que reúne as maiores economias do mundo, com quem os EUA têm superávit, ao lado do Reino Unido e da Austrália.

Nicola Pamplona/Folhapress



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Aposentados e pensionistas do INSS vão receber R$ 2,9 bilhões em valores atrasados na Justiça



Foto: Pedro França/Agência Senado/Arquivo
Previdência Social 22 de agosto de 2025 | 18:15

Aposentados e pensionistas do INSS vão receber R$ 2,9 bilhões em valores atrasados na Justiça

O CJF (Conselho da Justiça Federal) liberou R$ 2,9 bilhões para o pagamento das RPVs (Requisições de Pequeno Valor) a aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) que venceram ações na Justiça contra a Previdência Social.

Os valores serão pagos pelos TRFs (Tribunais Regionais Federais) a 180.325 beneficiários em 133,9 mil processos de concessão ou revisão de aposentadoria, pensão, auxílio-doença e BPC (Benefício de Prestação Continuada), entre outros benefícios. As RPVs são atrasadas de até 60 salários mínimos.

O montante liberado é maior, de R$ 3,3 bilhões, e inclui valores de processos vencidos por servidores públicos. Ao todo, são 280,9 mil pessoas em 220,5 mil processos.

Para receber, é preciso que a ação judicial tenha chegado totalmente ao final e que a data da ordem de pagamento do juiz seja algum dia do mês de julho. O valor a ser depositado pode ser encontrado no campo “Valor inscrito na proposta”. Quando o dinheiro é pago, o status da consulta mostrará “Pago total ao juízo”.

O depósito na conta será feito conforme o cronograma de cada TRF. Em geral, os tribunais levam cerca de uma semana para fazer o chamado processamento, etapa na qual são abertas contas em nome do segurado ou de seu advogado no Banco do Brasil ou na Caixa Econômica Federal.

Para verificar se tem direito aos valores e se eles já foram liberados, os beneficiários ou seus advogados devem fazer uma consulta no site do TRF de sua região.

Para São Paulo e Mato Grosso do Sul, o TRF responsável é o da 3ª Região, e o site para consulta é o trf3.jus.br. É preciso informar seu CPF, o número da OAB do advogado da causa, ou o número do processo.

Como sei em qual data vou receber?

A data de pagamento dos atrasados depende de quando o juiz mandou o INSS quitar a dívida e de quando a ação chegou totalmente ao final. Os atrasados de até 60 salários mínimos, chamados de RPVs, são quitados em até dois meses após a ordem de pagamento do juiz.

Valores maiores viram precatórios, que são pagos apenas uma vez por ano.

Como sei se é uma RPV ou um precatório?

RPVs são dívidas de até 60 salários mínimos pagas com mais agilidade. O prazo legal é de até 60 dias para a quitação do atrasado. Já os precatórios federais são débitos acima deste valor, pagos apenas uma vez por ano.

Ao fazer a consulta no site do TRF responsável, aparecerá a sigla RPV, para requisição de pequeno valor, ou PRC, para precatório. Em geral, o segurado já sabe se irá receber por RPV ou precatório antes mesmo do fim do processo, porque os cálculos são apresentados antes.

Cristiane Gercina/Folhapress



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Dólar fecha em forte queda e Bolsa dispara 2% após Powell indicar corte de juros nos EUA



Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Arquivo
Dólar teve forte queda de 0,95% nesta sexta-feira (22) e encerrou a semana cotado a R$ 5,425 22 de agosto de 2025 | 18:30

Dólar fecha em forte queda e Bolsa dispara 2% após Powell indicar corte de juros nos EUA

O dólar teve forte queda de 0,95% nesta sexta-feira (22) e encerrou a semana cotado a R$ 5,425, após o presidente do Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos), Jerome Powell, abrir a porta para um corte de juros na próxima reunião, em setembro.

Embora não tenha se comprometido com a redução, a possibilidade injetou otimismo nos mercados de renda variável e de câmbio globalmente.

Na Bolsa, isso se traduziu em uma disparada de 2,4%, com o Ibovespa fechando a 137.751 pontos, segundo dados preliminares.

O Fed trabalha com um mandato duplo, isto é, observa de perto os dados de emprego e de inflação para decidir sobre a política monetária. O objetivo é levar a inflação à meta de 2% sem grandes danos ao mercado de trabalho.

No discurso, Powell fez um balanço dos riscos para cada ponta desse mandato duplo. Por um lado, o mercado de trabalho parece estar em um “equilíbrio curioso”, onde a taxa de desemprego está em relativa estabilidade por causa de uma desaceleração “acentuada” tanto na oferta e quanto na demanda por trabalhadores.

“Essa situação incomum sugere que os riscos de queda no emprego estão aumentando. E, se esses riscos se materializarem, poderão aparecer rapidamente”, disse ele.

Por outro lado, as tarifas do presidente Donald Trump, que tendem a pressionar os preços ao consumidor, “podem estimular uma dinâmica inflacionária mais duradoura”.

Esses riscos estão em equilíbrio, segundo ele, e os juros estão em um território restritivo. “Isso pode justificar o ajuste de nossa postura na política monetária”, afirmou.

Para André Diniz, economista chefe da Kinea Investimentos, a sinalização “foi o mais perto possível de dizer que vai ter um primeiro corte em setembro”.

“Seria muito improvável que ele dissesse isso com todas as letras, mas foi claramente uma mudança na leitura de riscos entre a última entrevista coletiva do Fed, em julho, e esse discurso de Jackson Hole”.

O tarifaço de Trump colocou o Fed em uma sinuca de bico. Como as tarifas tendem a aumentar os preços ao consumidor e a desacelerar as contratações, qualquer ajuste na taxa de juros terá um ônus para alguma das pontas.

Juros altos contêm a disparada inflacionária por desestimularem a tomada de empréstimos e o consumo, mas afetam as empresas, que podem reduzir o número de funcionários ou parar as contratações, resfriando o mercado de trabalho. Já um corte nos juros traria o cenário oposto: aqueceria o mercado de trabalho, mas também estimularia a inflação.

O Fed vem mantendo a taxa de juros entre 4,25% e 4,5% desde dezembro do ano passado, antes de Donald Trump ser empossado. Foram cinco reuniões neste ano que os diretores optaram pela manutenção da taxa, apesar da pressão de Trump, que defende uma redução de três pontos percentuais.

Antes do discurso, operadores precificavam pouco menos de 70% de chance de um corte de 0,25 ponto percentual nos juros durante a próxima reunião, entre 16 e 17 de setembro, com os 30% restantes apostando em mais uma manutenção. Agora, a probabilidade de uma redução está em mais de 90%, segundo a ferramenta Fed Watch.

Para os mercados de renda variável e de câmbio, cortes nos juros do Fed são uma boa notícia, já que normalmente vêm acompanhados de uma injeção de recursos de investidores egressos da renda fixa norte-americana. Quando os juros por lá caem, os rendimentos dos títulos ligados ao Tesouro dos Estados Unidos também caem, levando os operadores à diversificação de investimentos.

Segundo Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, o discurso trouxe um novo grau de otimismo para esses mercados.

“Apesar de reconhecer que o ambiente macro continua desafiador, especialmente com as mudanças em imigração e políticas comerciais afetando oferta e demanda com efeitos difíceis de antecipar, o presidente do Fed afirmou que a política monetária está restritiva e sinalizou a proximidade de ajustes, o que resultou em uma resposta imediata dos ativos”, afirma.

“Os índices de ações passaram a apresentar alta firme ao considerar o discurso ‘dovish’, ou seja, indicativo de uma política monetária mais estimulativa, que melhora as perspectivas para ações e outros ativos de risco”.

O otimismo também bateu em Wall Street, onde os principais índices fecharam em alta de mais de 1%. O Dow Jones subiu 1,89%, enquanto S&P 500 avançou 1,37% e o Nasdaq Composite, 1,87%.

Para o Brasil, a perspectiva de cortes de juros pelo Fed ainda tende a favorecer o real devido à percepção de que, com a taxa Selic em patamar alto por tempo prolongado, o diferencial de juros entre Brasil e EUA permanecerá favorável para o lado brasileiro.

Por outro lado, a cena doméstica tem exercido pressão sobre o câmbio. Na segunda-feira, o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu que ordens judiciais e executivas de governos estrangeiros só têm validade no país se confirmadas pelo Supremo.

A decisão foi dada em ação sobre o rompimento da barragem de Mariana (MG) e não diz respeito diretamente à disputa entre Brasil e Estados Unidos. Na prática, porém, indica que o ministro Alexandre de Moraes, colega de corte de Dino, não pode sofrer as consequências da imposição da Lei Magnitsky, da qual foi alvo em julho pelo governo Donald Trump.

Como sinalizou o magistrado, instituições financeiras do país podem ser penalizadas se aplicarem sanções contra Alexandre de Moraes.

Relator do julgamento em que o ex-presidente Jair Bolsonaro é réu por tentativa de golpe de Estado, Moraes está na mira do governo Trump desde o mês passado. O magistrado é acusado de determinar prisões de forma arbitrária e suprimir a liberdade de expressão.

Tamara Nassif/Folhapress



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BB identifica ação nas redes de bolsonaristas contra o banco e é pressionado a recorrer à PF



Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo
A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros 22 de agosto de 2025 | 19:16

BB identifica ação nas redes de bolsonaristas contra o banco e é pressionado a recorrer à PF

O Banco do Brasil identificou uma ação de bolsonaristas nas redes sociais contra a instituição, e a presidente Tarciana Medeiros passou a ser pressionada, por integrantes do Judiciário e por bancos, a tomar providências e acionar a Polícia Federal.

Em ofício enviado à AGU (Advocacia-Geral da União) sobre o caso, o BB ressaltou que o movimento de desinformação mira comprometer o Estado de direito e a segurança jurídica.

A movimentação envolve uma onda de boatos para influenciar clientes do banco a sacar o dinheiro depositado na instituição, o que pode configurar crime contra o sistema financeiro, de acordo com técnicos do BC (Banco Central) ouvidos pela reportagem.

Em nota, o BB informou que “acompanha o surgimento de publicações inverídicas e maliciosas que disseminam desinformação em redes sociais, com o objetivo de gerar pânico, e que vai tomar as providências legais cabíveis para proteger sua reputação, seus clientes e seus funcionários”.

O advogado Jeffrey Chiquini, numa fala para um canal bolsonarista no Youtube, recomenda abertamente que as pessoas tirem imediatamente o dinheiro do banco.

“Quer um conselho? Quem tem conta no Banco do Brasil, cancele, tire dinheiro imediatamente”, diz o advogado, que é defensor de Felipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro na Presidência da República.

Chiquini diz que o BB, um banco com controle estatal, acabará sendo punido pelos Estados Unidos por desrespeitar a Lei Magnitsky e atender o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino —que, nesta semana, explicitou em despacho que leis de outros países não têm validade no Brasil.

“O Banco do Brasil é 51% estatal, o Banco do Brasil vai cumprir a decisão do Flávio Dino e o Banco do Brasil vai ser sancionado pela Lei Magnitsky e vai ser desligado do sistema Swift global. Tirem imediatamente seu dinheiro do Banco do Brasil porque ele será sancionado, isso é uma certeza”, disse ele no canal.

Com sede administrativa na Bélgica, o Swift (Sociedade para Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais) é um sistema de mensagens bancárias internacionais que permite a troca segura de informações e instruções de pagamento entre instituições financeiras de todo o mundo.

A Lei Magnitsky dos Estados Unidos foi aplicada contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. A norma impõe sanções financeiras, como congelamento de bens e proibição de negócios com cidadãos e empresas americanas, a estrangeiros acusados de corrupção ou graves violações de direitos humanos. O cartão de crédito internacional de Moraes foi bloqueado.

Procurado, o advogado disse que a sua fala está longe de configurar ilícito penal. “É apenas uma constatação da realidade da legislação americana, que tem sido amplamente divulgada por juristas de todo o mundo”, afirmou

Chiquini disse que apenas respondeu a um “questionamento objetivo sobre uma possibilidade jurídica, caso as informações divulgadas pela imprensa tradicional sobre a postura do Banco do Brasil em relação às sanções da legislação estrangeira fossem confirmadas e não cumpridas”.

E concluiu: “A minha afirmação sobre ‘tirar dinheiro’ foi a respeito de retirar investimentos em ações, pois, em razão da insegurança jurídica, o investimento se tornaria imprevisível. Antecipei acertadamente o movimento do mercado que, inclusive, anunciou que as ações brasileiras despencaram em R$ 42 bilhões após os anúncios da imprensa. Um conselho de investimento em ações é legítimo —e todo investidor o faz”.

Divulgar informação falsa ou prejudicialmente incompleta sobre instituição financeira é crime previsto na lei 7.492, que define os crimes contra o sistema financeiro nacional. A pena é de dois a seis anos de prisão e multa.

O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) é outro que incitou a população a retirar dinheiro dos bancos nas redes sociais. “Tirem seu dinheiro dos bancos. Moraes vai quebrar o Brasil”, escreveu em uma rede social. Procurado pela reportagem, o deputado enviou em resposta uma receita de bolo “que rende 12 porções”.

O BB informou que atua em plena conformidade à legislação brasileira, às normas dos mais de 20 países onde está presente e aos padrões internacionais que regem o sistema financeiro.

“Com mais de 80 anos de atuação no exterior, a instituição acumula sólida experiência em relações internacionais e está preparada para lidar com temas complexos e sensíveis que envolvem regulamentações globais”, diz em nota enviada à reportagem.

“Declarações enganosas ou inverídicas que tenham como objetivo prejudicar a imagem do Banco do Brasil não serão toleradas. O banco tomará todas as medidas legais cabíveis para proteger sua reputação, seus clientes e seus funcionários.”

A reportagem procurou a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e o BC, mas não obteve resposta.

Adriana Fernandes/Cézar Feitoza/Folhapress



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