
A saúde e o bem-estar da mulher no climatério, menopausa e pós-menopausa foi o foco temático de uma roda de conversa sobre saúde hormonal feminina promovida pela Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), através da Diretoria de Promoção à Saúde, na tarde desta quinta-feira (21), no Auditório Jorge Calmon. A diretora de Promoção à Saúde da Casa, Laura Letícia Mascarenhas, ciceroneou o bate-papo com as profissionais Maria Conceição Fonseca, ginecologista e mastologista; Magali Tourinho, sexóloga e enfermeira; e Patrícia Evelyne, médica reumatologista.
As convidadas fizeram suas explanações, informando sobre as alterações físicas e emocionais com o fim natural do ciclo menstrual e da fase reprodutiva da mulher, seus tratamentos e cuidados. O evento, destacou a diretora Laura, também mobilizou o público para colaborar com a doação de uma peça íntima para o Centro de Atendimento à Mulher Soteropolitana Irmã Dulce (Camsid). A campanha é uma iniciativa do Instituto Assembleia de Carinho, cujas representantes, a presidente Tanísia Cunha e a vice-presidente Ariane Couto, prestigiaram a roda de conversa, compondo sua mesa.
A ginecologista Maria Conceição Fonseca apresentou os benefícios comprovados da terapia de reposição hormonal, salientando que o tratamento é individualizado e que nem todos os pacientes são candidatos a fazê-lo, sinalizando que há outras alternativas para esse público, como suplementos. Elencou, entre outros sintomas comuns da menopausa, fogachos e suores, insônia, lapsos de memória, perda de foco, baixa libido, dor na relação sexual, ressecamento ocular e dores no corpo. “35 anos é a idade que marca a queda gradual da produção de estrogênio, progesterona e testosterona. E a menopausa no Brasil ocorre em torno dos 45 anos. Não podemos esquecer que, hoje em dia, a gente vive até os 90 anos, metade da vida na menopausa. Então essa metade tem que ser com qualidade de vida”, afirmou.
A reumatologista Patrícia Evelyne abordou sobre a dor na menopausa, apontando alta frequência de dores musculoesqueléticas, além do aumento de osteoartrose e de doenças articulares, como gota, em mulheres nessa fase. “Por muitos anos, a medicina ocidental tratou essa fase natural da vida da mulher como doença”, disse a especialista, observando que muitas mulheres silenciam sintomas por medo de julgamento ou associação com envelhecimento. Com formação também em clínica médica, acupuntura e medicina canabinoide, ela defendeu alternativas terapêuticas – entre elas, a fitoterapia, acupuntura e canabidiol – como abordagens complementares à terapia hormonal.
A sexóloga Magali Tourinho explicou que a redução hormonal afeta diretamente a saúde vaginal, deixando os tecidos mais finos, secos e sensíveis, o que causa dor durante as relações sexuais e impacta negativamente a vida íntima da mulher, que já está afetada com outros sintomas. Durante sua fala, ela fez uma dinâmica com o público, utilizando a canção Onde Deus possa me ouvir (Vander Lee) para refletir sobre a vida atribuladas das mulheres. Para Magali Tourinho, relacionamentos, menopausa e desejo sexual não acontecem da mesma forma para todas as pessoas, e o sofrimento relacionado à sexualidade frequentemente se manifesta em forma de tristeza, depressão ou conflitos internos. Também definiu que “libido não é desejo sexual. Libido é energia de vida. É pulsão de vida”, expressou.
Ao final, além da plateia tirar dúvidas sobre os assuntos, o bate-papo permitiu compartilhar relatos e experiências. Foram abordadas, entre outras questões, orgasmo e desejo sexual feminino após os 60 anos, uso de “canetas para emagrecimento” na menopausa, colágeno, fragilidade óssea e risco de fraturas.
Reportagem: Alexandre Melo
Edição: Franciel Cruz




















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