Seplan promove palestra sobre equidade de gênero na administração pública


Seplan promove palestra sobre equidade de gênero na administração pública
Seplan promove palestra sobre equidade de gênero na administração pública

Foto: Lucas Peixoto/Seplan

Como parte das ações do mês da mulher, a Secretaria Estadual do Planejamento (Seplan), por meio da Diretoria-Geral (DG), promoveu, nesta segunda-feira (23), no auditório da instituição, a palestra “Equidade de Gênero na Administração Pública”.

A atividade contou com a participação da promotora de Justiça de Direitos Humanos, Márcia Teixeira, que atua na defesa dos direitos da população LGBTQIA+. Mestra em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), ela também é conselheira do Conselho Estadual de Direitos Humanos.

A diretora-geral da Seplan, Kalyanne Braz, destacou a importância da iniciativa e explicou que a ação integra um ciclo de palestras voltadas à discussão da violência contra a mulher e da equidade de gênero nas relações institucionais. Segundo ela, o enfrentamento desse cenário exige mobilização permanente. “Precisamos unir esforços, envolvendo poder público, políticas públicas, área da saúde e sociedade, para avançar na promoção da equidade e na melhoria da vida das mulheres”, afirmou.

Durante a palestra, Márcia Teixeira explicou que o debate sobre equidade de gênero no ambiente de trabalho envolve temas como assédio moral e sexual, que se manifestam de diferentes formas e exigem atenção. Ela ressaltou a importância de buscar orientação adequada nesses casos. “Quem se sente assediado deve procurar instituições, advogados ou a Defensoria Pública para saber como agir”, orientou, destacando que as situações podem gerar tanto medidas administrativas quanto responsabilização criminal.

A promotora também chamou atenção para aspectos específicos da administração pública que podem ampliar a vulnerabilidade dos trabalhadores. Segundo ela, vínculos mais frágeis, como cargos comissionados e contratações via Regime Especial de Direito Administrativo (REDA), podem agravar o problema. Nesses casos, o medo de perder o sustento pode levar à submissão a situações de assédio, seja moral ou sexual.

O tema da palestra está alinhado a uma das diretrizes do Programa Bahia de Integridade Pública (PBIP), voltada à promoção da equidade, diversidade e inclusão. Corregedor da Seplan e responsável pelo programa na instituição, Fábio Marconi Fonseca ressaltou a relevância do debate. Segundo ele, a pauta tem ganhado espaço tanto no setor público quanto no privado, refletindo um avanço na compreensão sobre a equidade nas relações de trabalho. “Em um contexto marcado pelos elevados índices de feminicídio no país, esse debate é fundamental para fortalecer o respeito e a igualdade de oportunidades”, afirmou.

Durante a apresentação, Márcia Teixeira classificou a violência de gênero como um fenômeno estrutural. Segundo ela, não se trata de algo episódico, mas de uma dinâmica sistêmica e relacional, que, no ambiente público, muitas vezes se manifesta de forma naturalizada, associada à hierarquia e à cultura organizacional.

Tipologias de assédio
Assédio moral: práticas reiteradas de desqualificação, isolamento, sobrecarga ou invisibilização.
Assédio sexual: uso da posição hierárquica ou do ambiente de trabalho para constranger ou obter vantagem sexual.
Violência institucional e simbólica: silenciamento, descrédito da palavra da mulher, ausência de resposta institucional adequada e barreiras à ascensão.

Fonte: Ascom/Seplan