
Atenta ao que existe de mais atual em tecnologia para gestão de pessoas, a Superintendência de Recursos Humanos (SRH) da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) desenvolveu integralmente uma inteligência artificial (IA) dedicada à modernização de seus processos administrativos. Ainda sem nome definido, a ferramenta deve otimizar em tempo real atividades como admissão de servidores, gestão documental e atendimento ao público interno, podendo, no futuro próximo, ampliar o rol de funcionalidades.
Conforme ressaltou o superintendente de RH da ALBA, Francisco Raposo, a Assembleia Legislativa da Bahia é pioneira no desenvolvimento deste tipo de sistema. Segundo Raposo, a IA faz parte de um conjunto de ferramentas que o setor tem desenvolvido desde 2015, tendo como premissa o avanço tecnológico dos sistemas de recursos humanos da Casa.
“Hoje, com a instituição do Portal integrado a todas as nossas ferramentas de RH, a IA vem para consolidar todos os serviços prestados pelo setor, e nos faz ser pioneiros na modernização e na utilização dessa ferramenta, totalmente desenvolvida por técnicos do RH, e com total apoio da presidente Ivana Bastos”, afirmou Raposo.
De acordo com o coordenador do Núcleo de Desenvolvimento de Sistemas da SRH, Fábio Menezes, a IA já está pronta e passará a operar assim que for concluída a contratação de uma empresa especializada para fornecer a infraestrutura necessária. Isso porque o sistema exige servidores de alta capacidade, com grande poder de processamento, capaz de suportar o funcionamento da tecnologia. Neste sentido, foi publicada no Diário Oficial desta quinta-feira (26) a inexigibilidade de licitação para a mencionada contratação.
Entre as principais funcionalidades da nova ferramenta está a automação do processo de posse de servidores. A IA será responsável por analisar documentos apresentados, identificar sua validade e extrair automaticamente as informações para os sistemas internos. Hoje, esse trabalho é feito manualmente por servidores.
“Se um candidato apresenta um RG, por exemplo, a IA vai identificar se o documento é válido e importar os dados diretamente. A equipe humana ficará responsável apenas pela conferência final”, detalhou Menezes. A expectativa é que o tempo de processamento seja reduzido em mais de 60%.
Segundo o analista legislativo, Thiago Santiago, especialista em IA, a decisão de criar uma ferramenta própria foi estratégica, especialmente por envolver o tratamento de dados sensíveis dos servidores. “Optamos por desenvolver uma IA nossa, que funcionará apenas internamente na ALBA, porque lidamos com informações protegidas pela LGPD. Não queremos confiar esses dados a empresas terceiras. Tudo ficará sob nossa tutela, em nossos próprios sistemas”, explicou.
Além da segurança, o fator econômico também pesou na escolha, tendo em vista que a contratação de soluções prontas no mercado implicaria custos elevados. Desta forma, a Superintendência de RH manteve a filosofia de desenvolver suas próprias ferramentas e soluções.
Outro uso importante da ferramenta será a análise de documentos inseridos em processos eletrônicos vinculados ao RH (sistema Proc-Digital), como, por exemplo, solicitações de licença ou inclusão de dependentes. A IA fará uma verificação prévia, evitando erros comuns, como o envio de arquivos incorretos.
Além disso, a tecnologia também será disponibilizada em formato de assistente virtual no portal e no aplicativo do RH. Servidores poderão consultar informações sobre sua vida funcional publicadas no Diário Oficial, e tirar dúvidas sobre procedimentos administrativos.
Apesar dos avanços esperados, é necessário ressaltar que a ferramenta não substituirá servidores, tendo em vista que a IA será apenas um apoio para dar mais agilidade e assertividade ao processo.
Com a nova tecnologia, a Assembleia Legislativa da Bahia busca não apenas acelerar seus processos, mas também reduzir erros, reforçando a segurança das informações, e acompanhar a transformação digital em curso no setor público. Em um segundo momento, a ideia é expandir gradualmente o uso da IA para outras áreas, incluindo consulta a legislações e normas internas.
Reportagem: Leonardo Martins
Edição: Franciel Cruz




















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