Páscoa impulsiona produção de chocolates da agricultura familiar no sul da Bahia


Páscoa impulsiona produção de chocolates da agricultura familiar no sul da Bahia
Páscoa impulsiona produção de chocolates da agricultura familiar no sul da Bahia

Foto: André Frutuôso/CAR

Com a proximidade da Páscoa, agroindústrias da agricultura familiar no sul da Bahia trabalham em ritmo acelerado para atender ao aumento da demanda por chocolates e ovos artesanais. Em Itabuna e Ibicaraí, as marcas Natucoa e Bahia Cacau ampliaram a produção neste período, impulsionadas pelo crescimento do mercado e pela valorização do cacau produzido por agricultores familiares.

Por trás das duas marcas estão a Cooperativa de Serviços Sustentáveis da Bahia (Coopesba) e a Cooperativa da Agricultura Familiar e Economia Solidária da Bacia do Rio Salgado e Adjacências (Coopfesba), que transformaram o beneficiamento do cacau em uma estratégia de geração de renda e agregação de valor no território.

Na Natucoa, marca vegana e sem glúten, a campanha deste ano chega com novidades e volume recorde. A produção dobrou em relação ao ano passado, e a cooperativa ampliou a variedade de ovos de Páscoa. Entre os lançamentos da linha principal estão os ovos de chocolate 56% recheados com cupuaçu, 65% com caramelo e flor de sal e 70% com banana, além de sabores já consagrados, como licuri, pistache e o Duo, que combina chocolate branco e preto. As frutas que compõem o recheio também são cultivadas por agricultores e agricultoras da região.

No ano passado, a produção foi voltada principalmente para a loja de Ilhéus, com cerca de 400 ovos. Neste ano, a marca produz aproximadamente 1.200 unidades de ovos, ampliando o alcance das vendas, que agora ocorrem pelo site, pela loja física em Ilhéus e pelo quiosque em um shopping de Itabuna. Além da produção própria, a agroindústria também passou a terceirizar a fabricação para outras marcas de chocolate, sinalizando crescimento e consolidação no mercado.

A marca conta com um portfólio diversificado. Além dos ovos de Páscoa, produz barras de chocolate com teores entre 56% e 80% de cacau, geleias de mel de cacau, nibs, pastas de cacau com licuri ou castanha, drágeas e chocolate em pó. “Nesta Páscoa, conseguimos ampliar sabores, dobrar a produção e chegar a novos espaços de comercialização, mostrando que nosso chocolate tem identidade e qualidade para competir em qualquer mercado”, destaca Carine Assunção, presidente da Coopesba.

Bahia Cacau
Na Bahia Cacau, a preparação também segue em ritmo intenso. A expectativa é produzir cinco mil ovos de Páscoa este ano, comercializados na loja própria e para clientes do atacado. As opções chegam em versões de 200g e 250g, enquanto a agroindústria mantém uma média mensal de produção de cerca de 2.500 quilos de massa de cacau e chocolate.

A marca já consolidou sua presença no mercado com barras de chocolate de 35% a 70% de cacau, nibs, mel de cacau, bombons e linhas especiais com especiarias, como pimenta, licuri, castanhas e coco, além de opções zero lactose e sem açúcar. Os produtos são elaborados sem conservantes, com alto teor de cacau, mantendo características artesanais e identidade territorial.

“A Páscoa é um período muito importante para nós, porque amplia as vendas e fortalece toda a cadeia produtiva. Cada ovo vendido representa renda para as famílias agricultoras que produzem o cacau e também mostra que é possível transformar nossa matéria-prima em um produto final valorizado pelo consumidor”, afirma Osana Crisóstomo, presidente da Coopfesba.

Em Salvador, barras e chocolates das duas marcas podem ser encontrados no Empório da Agricultura Familiar, além das vendas on-line pelo Mercaf.

Agregação de valor
O crescimento da produção está associado a uma mudança no modelo de atuação das cooperativas, que passaram a investir no beneficiamento e na industrialização do cacau. Antes voltadas principalmente à comercialização de amêndoas, as organizações ampliaram a participação na cadeia produtiva.

Os avanços foram viabilizados por investimentos do Governo da Bahia, por meio da CAR, que apoiou a estruturação das agroindústrias familiares da Coopessba e da Coopfesba com equipamentos modernos e apoio técnico.

Com isso, o cacau produzido por agricultores e agricultoras familiares passou a ser transformado localmente, gerando emprego, ampliando mercados e fortalecendo a economia regional.

Fonte: Ascom/CAR