
A deputada Olivia Santana (PC do B) inseriu, na ata dos trabalhos da Casa Legislativa da Bahia, uma moção de pesar pelo falecimento de José Renato Rabelo, médico baiano, dirigente político e uma das mais importantes lideranças históricas do Partido Comunista do Brasil. “Registramos, com profundo respeito e reconhecimento, esta homenagem à memória de José Renato Rabelo
(1942–2026), cuja trajetória se confunde com a luta democrática do Brasil nas últimas décadas”, declarou a legisladora.
Natural de Ubaíra, na Bahia, Renato Rabelo “construiu uma vida marcada pelo compromisso com as causas do povo brasileiro, com a justiça social, a soberania nacional e a democracia”. Ainda jovem, relata a parlamentar, ele ingressou no curso de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba), formação que não chegou a concluir naquele momento em razão da perseguição política sofrida durante a ditadura militar. Décadas depois, prosseguiu a deputada, “a injustiça foi reparada quando a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça reconheceu oficialmente seu direito à reintegração ao curso”.
Olivia diz que a militância política de Renato Rabelo começou muito cedo. A parlamentar relata que, aos 23 anos, ele tomou conhecimento de um comício da Aliança Nacional Libertadora (ANL) no Largo da Pólvora, em Salvador, episódio que marcou sua aproximação com o movimento comunista. Convidado a integrar a Juventude Comunista, filiou-se também ao então Partido Comunista do Brasil, iniciando uma longa jornada de militância revolucionária e organização política.
No movimento estudantil, Renato Rabelo destacou-se como uma liderança de grande capacidade organizativa e política. Em 1965, foi eleito presidente da União dos Estudantes da Bahia (UEB). Com o regime militar, passou a viver em situação de semiclandestinidade e se transferiu para São Paulo, onde ampliou sua atuação política, sendo eleito vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), participando ativamente da resistência democrática contra a ditadura.
Posteriormente, já vinculado à Juventude Universitária Católica (JUC), integrou a direção nacional da Ação Popular (AP), organização que reunia jovens comprometidos com a transformação social do país. Nesse período,
esteve na China, durante a Revolução Cultural, para conhecer de perto experiências políticas e sociais que influenciavam o pensamento revolucionário internacional. De volta ao Brasil, Renato continuou sua militância na Ação Popular (AP), atuando em Goiás. Com a incorporação da AP ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Renato Rabelo passou a integrar formalmente a direção nacional do partido e tornou-se membro de seu Comitê Central.
Nesse contexto, colaborou na retaguarda da histórica Guerrilha do Araguaia, entre 1968 e 1973, episódio emblemático da resistência armada à ditadura militar. Renato Rabelo viria a ocupar um dos mais importantes postos da história do PCdoB ao assumir a presidência do partido em 2001, sucedendo o histórico dirigente João Amazonas. À frente da legenda até 2015, conduziu o partido em um período de ampliação de sua presença institucional e de fortalecimento de sua atuação nas lutas democráticas e populares do país. Foi reeleito duas vezes e, ao final de sua gestão, durante o X Congresso do PCdoB, transmitiu a presidência à dirigente Luciana Santos.
“Sua trajetória permanece como referência para as novas gerações que acreditam na política como instrumento de transformação social”, encerrou a deputada Olivia Santana.
Reportagem: Nivaldo Costa
Edição: Franciel Cruz




















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