Hospital Regional da Chapada lidera um dos maiores mutirões de rastreamento do câncer colorretal do Brasil


Hospital Regional da Chapada lidera um dos maiores mutirões de rastreamento do câncer colorretal do Brasil
Hospital Regional da Chapada lidera um dos maiores mutirões de rastreamento do câncer colorretal do Brasil

Foto: Leonardo Rattes- Ascom/Sesab

Entre os dias 1º e 6 de março, o Hospital Regional da Chapada (HRC), unidade da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) gerida pela Fundação Fabamed e localizada em Seabra, será o centro de uma das maiores ações de rastreamento do câncer colorretal já realizadas no país. A mobilização integra a campanha Março Azul 2026 e reunirá mais de 200 profissionais de saúde e voluntários de todo o Brasil, entre eles 70 médicos especialistas, em um grande mutirão de colonoscopias.

A estratégia começa antes mesmo do início dos procedimentos. A população de 45 a 70 anos realiza o exame FIT (teste imunológico fecal), utilizado para detectar sangue oculto nas fezes. Os resultados positivos são encaminhados para triagem e posterior realização da colonoscopia durante o mutirão. A previsão é de que entre 400 e 500 exames sejam realizados ao longo do evento. A iniciativa é direcionada a pacientes previamente identificados a partir desse rastreamento. Para viabilizar a triagem, foram distribuídos mais de 8 mil kits de coleta.

Durante os seis dias de campanha, o hospital contará com estrutura reforçada: seis torres de vídeo de alta definição, cada uma equipada com três aparelhos de colonoscopia, totalizando 18 equipamentos em funcionamento simultâneo. A ação também dispõe de bisturis elétricos de tecnologia alemã dedicados exclusivamente aos procedimentos, assegurando precisão e segurança.

Todo o material coletado será encaminhado para análise histopatológica. Pacientes com diagnóstico de doença avançada, indicação cirúrgica ou necessidade de acompanhamento especializado serão direcionados a hospitais de referência. Em caso de complicações, as equipes locais e a UTI do hospital estarão disponíveis para suporte imediato.

O presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva na Bahia, Victor Rossi, gastroenterologista, destaca a capacidade estrutural do Hospital Regional da Chapada para sediar a mobilização. “A cidade de Seabra foi escolhida pela capacidade de organizar essa ação, tendo uma estrutura já montada, o que facilitou, junto à Fabamed, realizar a campanha em um hospital de porte como o Hospital Regional da Chapada. O paciente consegue fazer toda a jornada dentro da unidade. Seabra é o que chamamos de capital da Chapada, com cerca de 50 mil habitantes e com toda a estrutura necessária”, afirma.

A ação conta com o apoio da Prefeitura de Seabra, da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia e do Governo do Estado da Bahia, que atuam de forma integrada para viabilizar a campanha.

De acordo com o gastroenterologista e especialista em endoscopia digestiva Sylon Ribeiro de Britto Júnior, o Março Azul nasceu da necessidade de enfrentar o avanço da doença no país. “Surgiu há 10 anos, motivado pelo avanço do câncer de intestino no nosso país. O câncer colorretal é o terceiro mais comum no mundo e o segundo que mais mata. A escolha da cidade que vai ser o centro de todo o trabalho não é aleatória. Serão 70 médicos de todo o Brasil que vêm para a cidade de Seabra participar dessa ação. Esses médicos vão trabalhar juntos realizando os exames de colonoscopia”, explica.

Além da assistência direta à população, o mutirão também deixa um legado científico e educacional. Estudantes de medicina auxiliarão na coleta de dados para a produção de trabalhos científicos. À noite, a programação inclui seminários voltados à população, agentes comunitários de saúde e médicos da região, ampliando o alcance da informação e fortalecendo a prevenção.

Cerca de 900 mil mortes por ano

Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica indicam que o câncer colorretal resulta em cerca de 900 mil mortes anuais no mundo, atrás apenas do câncer de pulmão. No Brasil, a doença é o segundo câncer mais comum entre homens e mulheres, com 45.630 novos casos por ano.

A mortalidade por câncer colorretal deve crescer 36,3% nos próximos 15 anos no país, segundo o 9º volume do boletim da Fundação do Câncer. O aumento dos óbitos entre os homens poderá chegar a 35% até 2040 e, entre as mulheres, a 37,63%. Apesar dos números expressivos, o diagnóstico precoce altera significativamente esse cenário. Quando identificado em fase inicial, o câncer colorretal apresenta taxa de cura superior a 90%.