Centro Estadual de Referência Rilza Valentim registra 430 mil atendimentos em três anos


Centro Estadual de Referência Rilza Valentim registra 430 mil atendimentos em três anos
Centro Estadual de Referência Rilza Valentim registra 430 mil atendimentos em três anos

Foto: Thuane Maria/GOVBA

O Centro Estadual de Referência às Pessoas com Doença Falciforme Rilza Valentim (CERPDF/Hemoba) completa três anos nesta sexta-feira (13) com 430 mil atendimentos ambulatoriais realizados desde a inauguração. O serviço, localizado em Salvador, oferece assistência multiprofissional, exames especializados e medicamentos de alto custo a pacientes com doenças hematológicas benignas.

A estudante Nátily Santos, 16 anos, é acompanhada pelo Centro há dois anos. Diagnosticada com doença falciforme ainda no teste do pezinho, ela retorna à unidade a cada três meses, sempre ao lado da mãe, para dar continuidade ao tratamento. “Evoluí bastante desde que cheguei aqui. O atendimento é perfeito. A médica é super carinhosa, e todos se preocupam com os pacientes”, conta.

A doença falciforme é uma condição genética que altera o formato dos glóbulos vermelhos, que passam a ter aparência semelhante à de uma foice, podendo provocar dores intensas e outras complicações. Atualmente, o Centro acompanha cerca de cinco mil pessoas, de toda a Bahia, que vivem com a doença.

Já o técnico em refrigeração Luan Lima, 33 anos, tem hemofilia A e é assistido pelo CERPDF desde a inauguração da unidade. “Eu acho muito bom. Já fui atendido pelos médicos plantonistas nos finais de semana, pelas enfermeiras e técnicas, e todos sempre me trataram super bem, desde a recepção. Não tenho do que reclamar”, relata.

O serviço conta com uma equipe formada por hematologistas, ortopedistas, oftalmologistas, neurologistas, hepatologistas, fisioterapeutas, assistentes sociais, psicólogos, nutricionistas, odontólogos, enfermeiros e farmacêuticos, que realizam consultas, exames, dispensação de medicamentos e procedimentos especializados para pacientes da capital e do interior do estado.

Para ampliar a capacidade de atendimento, em 2026 foram incorporados novos profissionais: dois hematologistas, um hematologista pediátrico, um pediatra, sete clínicos gerais, um ortopedista, um cardiologista, dois oftalmologistas e três neurologistas. Com o intuito de qualificar a marcação de consultas e exames, foi contratado mais um profissional e implantada uma nova linha telefônica.

“Com números crescentes de atendimentos ao longo desses três anos, o Centro de Referência vem assistindo, de forma comprometida e atenta, aos pacientes com doenças hematológicas benignas de todo o estado, por meio de uma equipe formada por profissionais de diversas áreas da saúde. Também disponibilizamos ambulatório transfusional e exames especializados, como doppler transcraniano, mielograma, biópsia de medula e curativos especiais. Além disso, investimos na capacitação técnica não apenas da nossa equipe, mas também de profissionais de serviços do interior, para qualificar cada vez mais o cuidado às pessoas com doença falciforme”, destaca Anelisa Streva, diretora do Centro de Referência.

Ações educativas e institucionais – Além da assistência direta aos pacientes, o Centro também tem investido em ações educativas e no fortalecimento da rede de atenção no estado. Ao longo desses três anos, o CERPDF realiza o podcast mensal Café com Saúde, para discutir questões relacionadas à doença falciforme. Também promove palestras nas salas de espera, orientações farmacêuticas, discussões de casos clínicos, grupos terapêuticos de nutrição e simpósios.

Para fortalecer a rede de atenção, foram realizadas capacitações externas em municípios como Teixeira de Freitas, Xique-Xique, Valença, Porto Seguro, Camaçari, Abaré e Rodelas. Internamente, equipes de enfermagem e administrativas participaram de treinamentos voltados à comunicação humanizada e ao aprimoramento das práticas assistenciais.

Entre os avanços institucionais, destacam-se a criação da Comissão de Combate ao Racismo da Hemoba, o monitoramento do Censo Estadual das Pessoas com Doença Falciforme e o apoio ao edital da FAPESB, que destinou R$ 4 milhões para pesquisas sobre doença falciforme e os impactos do racismo estrutural.

O Centro também promoveu ações culturais e de conscientização em datas importantes, como o Dia Mundial da Hemofilia, o Dia Mundial de Conscientização da Doença Falciforme e o Dia Nacional de Luta pelos Direitos das Pessoas com Doença Falciforme, incluindo visitas ao Museu de Arte Contemporânea da Bahia e ao Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira, em Salvador.